Filhos adolescentes - 15 coisas que você merece saber.

April 14, 2015

 

 

    

Então, as crianças chegam à adolescência e uma grande transformação pode ser vivida por toda a família. As principais demandas trazidas pelos pais aos consultórios psicológicos dizem respeito aos filhos adolescentes e a radical transformação que eles vivenciam nessa fase.

 

É comum ouvir mães se queixarem que os filhos perderam a naturalidade da infância, que passaram a viver na rua ou trancados em seus quartos, ou que parecem ter desenvolvido uma verdadeira repugnância pelos programas familiares que costumavam fascina-los anteriormente.

 

Creio que a primeira coisa a fazer no atendimento aos pais é convida-los a se lembrarem de suas próprias adolescências. Não é preciso muito trabalho para identificarmos semelhanças entre a adolescência dos nossos filhos com a que vivemos, ainda que o contexto sócio histórico tenha sido diferente.   

 

No passado, a influência dos regimes familiares conservadores e rígidos não permitiam a liberdade de expressão e o direito a escolhas que vemos hoje. Os filhos definitivamente não eram consultados, por exemplo, sobre o cardápio do jantar, sobre o estilo da roupa que iriam vestir ou se ficariam incomodados por não comparecerem às festas dos amigos. Simplesmente, ouviam uma negativa em alto e bom som sem direito a questionar. Os questionamentos eram considerados como clara evidência de insubordinação e atrevimento passíveis de castigos.

 

Hoje, felizmente, as coisas são diferentes. Crianças e adolescentes são vistos como pessoas com individualidades próprias, gostos, pontos de vista e projetos que são levados em conta na hora das decisões familiares.

 

Essa mudança social favoreceu o surgimento de regimes familiares mais democráticos, mas também trouxe consequências que passaram a gerar mais inquietação aos pais, principalmente por causa do crescimento da liberdade dos jovens. Liberdade para ir e vir, para se relacionarem afetivamente ainda muito cedo ou sair de casa sem definição sobre a hora de chegar – algo que eles não aceitam, são alguns exemplos. 

 

A liberdade conquistada também trouxe no pacote a necessidade de mais responsabilidade, haja vista a ampliação da atuação social dos jovens e todas as consequências que isso implica como nos casos de uso e abuso de bebidas alcóolicas, sexo em idade precoce e gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, dentre outras. 

 

Porém, o desenvolvimento do nível de responsabilidade não acompanhou o crescimento dessa liberdade devido a outro fator radical, o narcisismo, padrão resultante das dinâmicas socioeconômicas que apregoam o gozo a qualquer preço, inclusive por meio do consumismo sem critérios, independente das consequências.

 

Hoje, o jovem tem mais liberdade, mas não sabe o que fazer com as respectivas consequências porque elas esbarram na confusão gerada pelas grandes mudanças neurofisiológicas, sociais e subjetivas. Gozo versus consequências: eis a questão.

 

Percebe-se, então, que ser adolescente nos dias de hoje é tão difícil quanto era no passado, o que torna necessário percorrermos o tema de um modo mais científico e racional para que, uma vez compreendido, tenhamos mais ferramentas para auxiliar os jovens nessa passagem.

 

Acentuadas alterações hormonais, mudanças psicossociais, a perda da infância, da “proteção”, da imagem dos “pais-heróis” e a iminente necessidade de formação da identidade para a passagem à fase adulta não são questões fáceis de lidar. Embora tudo isso pareça ser um problema tendo em vista o aspecto sofrido e desagradável, a transição da fase da infância para a fase adulta é algo natural e envolve essa série de fatores que receberam a denominação de Síndrome da adolescência normal.

 

Erick Erickson, psiquiatra alemão, institucionalizou a adolescência ao apresentar o conceito de moratória descrevendo-a como uma fase especial no processo do desenvolvimento humano. Nessa fase, ocorre a confusão de papéis e as dificuldades para estabelecer uma identidade própria.

 

Na moratória psicossexual ocorre o processo de passagem da infância à plena atuação genital procriativa onde não se requerem papéis específicos e se permite experimentar o que a sociedade tem a oferecer. É na vivência das muitas experimentações sociais que o adolescente define sua própria personalidade. 

 

1. “Meu filho se juntou a essa gente esquisita e se nega a conviver com a família como antes”

 

Na busca de identidade, o adolescente recorre às situações que se apresentam como mais favoráveis ao momento que estão vivendo e uma delas é a uniformidade. É na uniformidade que o adolescente encontra segurança e estima pessoal e isso resulta no processo de dupla identificação em massa onde no grupo, todos se identificam com cada um. É nesse momento que o adolescente se agrega a “tribos” em torno de atividades, estilos de vida ou motivações valorizadas em comum, nos quais se mobilizam no processo de formação da identidade. Dentre eles, podemos citar os skatistas, os Darks, os Emo’s e os Punk’s, dentre outros.

 

2. “Mas parece que ele gosta mais dessa gente do que de mim que sou sua mãe!”

 

Em certas ocasiões, a única solução para o adolescente pode ser a de procurar o que o próprio Erickson chamou também de “uma identidade negativa”, baseada em identificação com figuras negativas, mas reais. É preferível ser alguém perverso e indesejável a não ser nada. Isto constitui uma das bases do problema das turmas de delinquentes, dos adeptos às drogas, por exemplo. A realidade pode ser um tanto limitada ao não proporcionar figuras com as quais o adolescente possa fazer uma relação identificadora positiva e então, na necessidade de ter uma identidade, recorre-se a esse tipo de identificação irregular, mas concreta. 

 

É nessa hora que os pais se desesperam, quando veem os filhos convivendo com pessoas cujos valores são muito dif