A sua mente te protege ou destrói?

August 4, 2015

 

 

Reduzir a atividade mental, apaziguar, serenar o pensamento, desligar... Para muitas pessoas conseguir fazer isso é algo muito simples, basta dormir. Mas para algumas pessoas que sofrem de altos níveis de estresse ou insônia, isso é quase impossível, algo tão difícil que as torna dependentes de medicamentos hipnóticos, tranquilizantes ou indutores do sono.

 

Além dos diversos fatores de ordem neurofisiológica como a síndrome do pensamento acelerado e o TDAH, o cérebro que não descansa também tem outra razão de funcionar num ritmo tão acelerado, uma rotina sem disciplina em que há um desequilíbrio entre excesso de atividades/situações de grande estresse e descanso com fontes de prazer e bem-estar.

 

Sem que percebam e influenciadas pela necessidade de sobreviver num sistema econômico desigual e perverso, as pessoas se viciam em ritmos insalubres, seja no excesso de horas de trabalho, no desgaste provocado pelo trânsito nos grandes centos urbanos, na permanência em relacionamentos tóxicos e destrutivos ou no descontrole sobre pensamentos aflitivos relacionados a medo, insegurança, mágoa, ciúmes, raiva, intolerância, inveja, entre outros.

 

Hoje em dia, vivemos pressionados por manobras que determinadas esferas impõem à sociedade, as quais nos fazem agir como marionetes ainda que não desejemos admitir. Temos um carro, mas queremos um mais novo; moramos num apartamento, mas queremos um maior. Nossos narizes são perfeitos, mas queremos um "modelo" igual ao da atriz de Hollywood. Não queremos o que temos, não queremos o que somos, eis o grande triunfo da mídia que nos manipula pelas emoções.

 

O mal-estar produzido por uma mente fortemente influenciada pelas emoções repercute no corpo e em todos os âmbitos da vida. Nessas condições, a mente não descansa e, uma vez cronicamente cansada, enfraquece, tem prejudicadas a sua percepção da realidade e sua capacidade de memorizar novas informações. Uma mente cansada não aprende, não discerne, não funciona bem. Desse modo, a saúde e a produtividade da pessoa caem e sua vida afetiva, social e profissional sofrem as mais diversas consequências. 

O alcoolismo e o abuso de substâncias ilícitas fazem parte de um tipo de "recurso" no qual muitos se refugiam. Anestesiam os próprios sentidos para não entrarem em contato com os motivos das preocupações, a dor da solidão, da carência, da perda, e tentam compensar o desprazer da rotina, da falta de motivação, etc. Não precisamos enumerar aqui as consequências psicobiosociais oriundas de tais vícios.

 

A relação entre o suicídio e o alto nível de estresse é um fato incontestável. As pessoas vão gradativamente se deixando levar pela rotina sufocante, descuidadas da saúde, da alimentação e do necessário descanço. Elas vão se afastando tanto de si mesmas que num momento crítico em que se sentem extremamente angustiadas, partem para as vias de fato, vítimas da falta de controle dos impultos, algo explicável pela neurociência.

 

No caso específico da ideação suicida é importante dizer que nessa circunstância, a "lente negativa" com a qual se enxerga a vida também pode ser resultante do esgotamento mental que compromete o funcionamento psíquico, que enfraquece a produção de endorfinas e prejudica o circuito neuronal na área pré-frontal do córtex cerebral, a qual é responsável pelo planejamento, emoção e julgamento. Diante desse quadro, o uso de psicofármacos é indicado por se tratar de um caso agudo e importante, além da psicoterapia que inaugura o autoconhecimento, a compreensão da própria dinâmica e a adoção de novos hábitos.

 

Entretanto, há o que se possa fazer para evitar que adoeçamos em virtude de um estilo de vida insalubre principalmente quando por causa de diversos fatores não pode ser resolvida ou melhorada de imediato, a adoção da meditação. A meditação é uma prática milenar oriental usada para a mobilização do pensamento por meio da vontade focada e tem objetivos como o auto apaziguamento, o encontro com o Eu divino, a harmonização e a transcendência. Ela pode variar em métodos desde a escolha de um momento do dia e local específico para esse fim até uma técnica breve que pode ser usada várias vezes por dia onde quer que estejamos. 

 

É importante lembrar que treinar uma mente para funcionar diferentemente do modo como sempre funcionou não é uma tarefa fácil ou rápida de cumprir, fato que leva muitas pessoas a desistirem precocemente da experiência. Acreditar no valor desse hábito diante da própria necessidade é algo que merece ser valorizado. Por isso, minha sugestão é que se comece pelo começo. Se não é possível se sentar confortavelmente numa cadeira, fechar os olhos e reduzir os pensamentos até um ponto preto numa tela branca, por exemplo, que se desacelere o ritmo mental através de música serena de um modo sistematizado diário com hora marcada e que isso seja encarado como um remédio, um alimento para a mente tão necessário quanto o almoço ao meio dia é para o corpo. 
 

Ao final desse texto, há os links de dois vídeos como sugestão de sons e imagens para o começo dessa aprendizagem, copie e cole em seu navegador. Escolha um local silencioso, longe do movimento de outras pessoas, quanto menos estímulos externos, melhor. Ouça as combinações sonoras com atenção ao mesmo tempo em que vai percebendo seus batimentos cardíacos, seus músculos, sua respiração. Tente estabelecer uma atmosfera de amor à sua volta que aos poucos vai tomando conta de seu corpo e sua mente.

 

Se achar difícil serenar os pensamentos, direcione-os. Observe a transição das imagens deixando-se levar por elas. Depois feche os olhos e se deixe levar por visualizações mentais de lugares calmos e paradisíacos. Se é uma praia, imagine-se caminhando por ela, sinta a areia se movimentando debaixo dos seus pés, sinta o vento, o barulho das ondas... Sinta a leveza, a leveza, a leveza...

 

A partir do cultivo de uma mente tranquila é possível ampliar a visão acerca das circunstâncias da vida e criar soluções para os problemas. Se depois disso viver começar a se tornar mais leve, não se tratará de mera coincidência. Pratique!
 

https://www.youtube.com/watch?v=LVzXcLuryxo

https://www.youtube.com/watch?v=E-FQ5yYoVZw